sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

sem título

eu era estrada
era memória
onde passavas
e eras história

hoje fechada
a dita estrada
não resta nada
no que amavas

olhas o céu
e a cor azul
lá para o sul
desapareceu

como morreu
o verde mar
no teu olhar
que era meu

a noite é feia
e o vento cala
a mesma fala
a dor da ceia

o que fizeste?
o que fiz eu?


pastoreando a vida



deram-te os calos na mão, uma capa e um bordão
uma cabra, uma ovelha e um farnel
e deram-te também um velho cão.

onde esperavas encontrar mel
a vida só te deu um companheiro fiel.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

o espelho

[a escuridão]
"quanto maior é, menos se vê."    

Foto luís_m.


espelho negro diz-me o que vês
na pequena chama, essa que lês
o destino não está ainda acabado.

penumbra que o oráculo esconde
dá-me uma razão válida por onde
minha antiga chama viva em fado.

perceptível é o tempo na despedida duma certeza
e sempre triste quando se apaga toda a beleza.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

prece


tem cuidado...
o tempo está mudado
o piso está molhado
e a rua só tem a lua
em chama quase crua
na penumbra do asfalto
onde a vida é um salto
que nos leva lá ao alto.

tem cuidado...
repara nos sinais
pensa um pouco nos teus pais
não conduzas distraida
em estrada sem saida.

tem cuidado...
preciosa é a vida .


sábado, 4 de fevereiro de 2017

1578_ O Desastre


Al Quasr al-kibr_autor desconhecido

Al_cansada nos punhos
A espada
E nos campos
A batalha.

À solta cavalos alados
Nos prados
De areia.

E o jovem Rei 
Já morto
E na Pátria o desgosto.

Nevoeiro nunca dissipado
Na espera
Do embuçado.

Triste Fado este
Em Al_Cácer fadado.