segunda-feira, 13 de novembro de 2017

entre Medina e Karbala

enquanto o sol se esquece
escondido entre castelos de 
algodão e raios de solidão
eu estou aqui à tua espera.

e se os meus olhos falassem
dir-te-iam
o que não digo a ninguém.

<< vi em cada ser humano
a beleza e a fealdade
a compaixão e a maldade
no seu melhor e no seu pior
em guerras e mortandade
mas também humanidade.
vi em cada folha viva
nas árvores sem guarida
cada palavra escondida
dum poema que não sei
mas de emoções que calei.
vi em cada curso de rio
as veias dum destino
e o sentido que a vida tem
ou as margens que contém.
vi em cada estrela brilhante
a morte num tempo que vem
mas não sei
quanto de vida ela contém.
vi nos oceanos e mares
seres extintos 
sem poderem respirar
mas também vi tanta vida
numa luta desigual.
vi pássaros agarrados aos
ninhos
sem jamais poderem voar
mas também vi muitos pais 
tudo fazerem para os criar. >>

por tudo isto e tanto mais 
eu não sei quando virás
não tenhas pressa em chegar
(hoje não é um bom dia)
depois... podes levar-me contigo 
para a terra dos meus pais.

sábado, 4 de novembro de 2017

de olhos erguidos



'agora'_foto LuísM

chamo-te silêncio
ás nuvens brancas
sob azul

momento...

de manto que paira
sobre ruído do pensamento.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

quem canta, seus medos espanta

Na curva, o cemitério
longe da aldeia
na solitária estrada
sem viva-alma
e a noite escura 
mascarando as árvores
agitadas ao vento e
produzindo um som 
a descer 
pela espinal-medula.

E o homem assobiava alto
para esconder as pernas 
trementes de medo.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ciclos

outono
finalmente.

a chuva cai
suave
quase pluma
quase envergonhada
pedindo desculpa
por tarde chegar.

e

de braços abertos
a terra em lume
recebe esse beijo
saciando o desejo.

e

o fogo sucumbe.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

o tempo e o modo



desenho LuísM

amo
de olhos abertos
na plenitude exterior
do teu olhar.

toco
a simbiose dos corpos 
expandidos
na fusão interior do vulcão
até à hipnose da carne.

olho
à luz do encanto
e já não sei onde comecei
a ver lagos e rios
quando te enlacei.

sinto
na pele adormecida
a inscrição das memórias
que transformaram em êxtase 
coração e mente.

durmo
qual ave migratória
no rasto do sonho
com asas que iniciei.

fecho
o círculo ao redor da paixão
e ao outro dia 
acordo
com o amor pela mão.